ARROZ E SOJA ENFRENTAM MOMENTO DECISIVO NO RIO GRANDE DO SUL: PRODUÇÃO SEGUE FORTE, MAS RENTABILIDADE PREOCUPA PRODUTORES
O agronegócio do Rio Grande do Sul atravessa um período de contrastes. Se por um lado o Estado mantém sua posição entre os maiores produtores de grãos do Brasil, por outro, agricultores enfrentam desafios relacionados à rentabilidade, aos custos de produção e às oscilações do mercado, especialmente nas culturas do arroz e da soja.
No caso do arroz, principal produto agrícola gaúcho, o cenário é de preocupação. Apesar de o Rio Grande do Sul continuar responsável por aproximadamente 70% da produção nacional, os produtores convivem com preços considerados insuficientes para cobrir os custos de produção em muitas propriedades.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de arroz no Estado na safra 2025/2026 foi estimada em cerca de 7,54 milhões de toneladas, cultivadas em aproximadamente 905 mil hectares. Embora o volume seja elevado, houve redução tanto na área plantada quanto na produção em comparação à safra anterior, reflexo principalmente da queda dos preços pagos ao produtor e da decisão de parte dos agricultores em reduzir investimentos na cultura.
Além da retração da área cultivada, o setor arrozeiro aponta que os elevados custos com irrigação, energia elétrica, combustíveis, fertilizantes e financiamentos reduziram significativamente as margens de lucro. Entidades representativas defendem medidas que auxiliem no equilíbrio do mercado e na garantia de renda ao produtor.
Como forma de amenizar esse cenário, a Conab anunciou novas operações de apoio à comercialização, destinando recursos para contratos de opção de venda, mecanismo que busca oferecer maior segurança aos produtores diante da baixa remuneração do mercado.
Soja apresenta recuperação, mas ainda exige cautela
Na soja, a situação é diferente. Após uma safra anterior fortemente impactada pela estiagem, a produção gaúcha apresentou recuperação, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis em grande parte das regiões produtoras.
Dados da Embrapa, baseados nos levantamentos da Conab, indicam produção estimada em aproximadamente 18,6 milhões de toneladas, distribuídas em uma área superior a 6,7 milhões de hectares, mantendo o Rio Grande do Sul entre os maiores produtores do país.
Entretanto, a melhora na produção não significou aumento proporcional na renda dos agricultores. A valorização do dólar, a oscilação das cotações internacionais e o elevado custo dos insumos continuam pressionando os resultados financeiros das propriedades.
Especialistas destacam que, embora a produtividade tenha apresentado recuperação em relação à safra marcada pela seca, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades para recompor perdas acumuladas nos últimos anos.
Clima continua sendo fator determinante
Outro ponto de atenção permanece sendo o clima. Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul enfrentou sucessivos eventos extremos, alternando estiagens severas, enchentes e períodos de excesso de chuva. Essa instabilidade tem aumentado os riscos da atividade agrícola e reforçado a necessidade de investimentos em irrigação, armazenagem, seguro rural e tecnologias que aumentem a resiliência das lavouras.
Perspectivas
Para os próximos meses, o setor acompanha atentamente o comportamento do mercado internacional, as políticas de apoio à comercialização e os custos de produção que irão influenciar o planejamento da próxima safra.
Enquanto a soja demonstra sinais de recuperação produtiva, o arroz segue vivendo um dos momentos mais delicados dos últimos anos sob o ponto de vista econômico. O consenso entre entidades do setor é que produzir continua sendo possível, mas garantir rentabilidade ao produtor será o principal desafio do agronegócio gaúcho nas próximas safras.
